HOJE ESTÁ UM DIA MORTO
Romance - Editora Record
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TRÊS RESENHAS + DUAS ENTREVISTAS
O GLOBO (janeiro 2007)
TURBILHÃO ICONOGRÁFICO DA JUVENTUDE
Romance híbrido mescla literatura e cinema em fluxo onde sexo é o mote principal
Por RONIZE ALINE
Hoje está um dia morto, romance de estréia de André de Leones, vencedor
do Prêmio Sesc de Literatura 2005, chega ao mercado cercado de
expectativas se levados em conta seus dois antecessores. "Santo reis da
luz divina", de Marco Aurélio Cremaso (Prêmio Sesc 2003), foi finalista
do Prêmio Jabuti 2005 e "As netas da Ema", de Eugênia Zerbini (Prêmio
Sesc 2004), teve sua primeira edição de quatro mil exemplares esgotada
já no primeiro mês de venda, além de ser adotado nas escolas paulistas.
Pelo terceiro ano em que o prêmio é oferecido na categoria romance
a escolha novamente prima pela diversidade. Depois de uma obra de
contornos históricos e de uma prosa pautada pelas dúvidas e
questionamentos do universo feminino, o novo vencedor é um turbilhão
iconográfico da juventude atual no qual as palavras, mais do que texto,
formam imagens - reflexo da formação cinematográfica do autor. A trama
central passa-se em um único dia - seguindo uma tradição cujo maior
destaque é "Ulisses", de Joyce - e tem como protagonistas Jean e
Fabiana, dois jovens atolados numa tristeza confessadamente ancestral.
Jean está sozinho em casa enquanto seus pais viajam para tentar
salvar o casamento e Fabiana será sua companhia nessa falta de
perspectiva norteada por apenas uma coisa: sexo. E se o sexo já está
presente na primeira cena do livro, não é demonstração gratuita mas o
mote de toda a obra, a forma mais constante desses jovens se
expressarem. Não que isso signifique a entronização da experiência
sexual, ela é apenas mais uma alternativa: "a outra seria alugar um
DVD. Ou encher a cara num boteco". Nos intervalos Jean despeja sua
cultura cinematográfica e Fabiana delicia-se com Oswald de Andrade.
André utiliza uma linguagem que reproduz com exatidão o fluxo
incontinente dessas vidas que sentem necessidade de racionalizar cada
sentimento: na pontuação que denota a falta de ordenamento, no
pensamento interrompido pois tornado descartável, na inserção de planos
de cinematografia e no surgimento de novas palavras que tornam a
urgência palpável, como 'portaberta' e 'tristealegremente'. Essa
urgência muitas vezes interrompe o narrador e faz com que os
personagens sobreponham sua experiência à experiência narrada, o que
resulta num brilhante dueto entre narração e ação. Destaca-se o
entrecruzamento de diálogos entre Jean e a freira diretora e Fabiana e
a bibliotecária, como se o cineasta André dividisse a tela em duas e
nos permitisse assistir às cenas em real time - como ele mesmo
escreveria. E nos surpreende na pequena segunda parte quando o
descompasso anterior dá lugar a uma tentativa de ordenamento por parte
de um terceiro personagem - quase uma consciência externa que
impinge-se a tarefa de decifrar e registrar os acontecimentos narrados
anteriormente. Com "Hoje está um dia morto" temos um bem construído
exemplar do romance de formas híbridas que tomou força no século XX e
que aqui nos revela um promissor expoente.
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HOJE ESTÁ UM DIA MORTO
Por FLÁVIO IZHAKI
Juntos ou separados, Jean e Fabiana, casal de protagonistas de "Hoje
está um dia morto" (Record, 160 págs.), livro de estréia de André de
Leones, experimentam uma angústia de não se sentirem presos a nada. No
desamparo provocado pela falta de apoio da família, de perspectivas num
mundo de pós-utopias, de uma cidade pequena sem nome perdida no
interior do Brasil, os dois adolescentes se agarram violentamente para
continuar vivendo.
Mas o sexo que fervilha nas páginas do
romance, inclusive em algumas descrições minuciosas, mas não
despropositadas, jamais fornece qualquer resposta ou aplaca o
sentimento, ou a falta daquilo que não tem nome. Depois e durante é a
mesma depressão, angústia de antes.
"Houve possibilidades, as mesmas alternativas de sempre, de ontem de anteontem e de depois de depois de amanhã."
Jean
tem 17 anos e sente falta dos pais, uma falta ancestral, já que,
segundo o próprio, os progenitores nunca foram presentes em sua vida –
a mãe calada, sorumbática, esquecida de si mesmo e o pai ausente. O
adolescente apela para Deus, um Deus também embebido em sexo, ironia e
culpa, que Jean nos apresenta descrevendo seus sonhos.
Sem
âncora no mundo, na cidade sem nome, em casa, resta ao casal transar,
beber, fumar, comer, vomitar e voltar a transar, num ciclo tão
previsível quanto real; Jean e Fabiana que conversam entre as longas
pausas de um silêncio opressivo, que têm referências globalizadas: o
cinema europeu, o rock de Seattle, os livros de Mário de Andrade.
A
julgar pelo modo como o narrador conta a história, De Leones tem as
mesmas referências. Formado em cinema, o autor goiano de 26 anos cruza
diálogos em planos e contra-planos, embaralhando conversas de lugares
diferentes em um só coro. Cita também diretores e em certos pontos do
livro até imagina como aquela passagem deveria se filmada:
"Esfrega
o rosto, machuca os olhos, pensa num plano de Bertolucci perdido numa
prateleira empoeirada da sua cabeça com a etiqueta 'Bertolucci – plano
de procedência desconhecida/ ignorada'; é mesmo de Bertolucci isso?”
A
referência ao cineasta italiano repentinamente leva ao recente "Os
Sonhadores", filme de fundo niilista em que três jovens descobrem e
respiram o sexo durante a agitação da primavera de 1968 em Paris. Como
escreve Luiz Antonio de Assis Brasil na orelha do livro, "Hoje está um
dia morto" "não é um reviver do clássico tedium vitae, que vem
exemplarmente retratado na náusea sartreana, mas algo mais denso, que
engloba não somente o indivíduo, mas toda a sociedade, minando-a em
seus fundamentos e negando-lhe um futuro". Trazendo as referências
cinematográficas e literárias para os dias atuais, o livro de De Leones
seria esta simbiose com uma pitada de "Trainspotting".
Ao longo
deste dia comprido, que começa numa madrugada de sexo e termina na
aurora de uma nova manhã que se anuncia ainda mais desalentadora que a
anterior, Jean e Fabiana vão se extinguindo pouco a pouco, como
parasitas, que, colados, sugam as forças um do outro, num duelo de
morte ou morte.
Vencedor do Prêmio Sesc de 2006 na categoria
romance, André de Leones, de 26 anos, consegue transformar em livro
aquilo que muitos – seus personagens, inclusive – preferem esquecer com
grandes goles de álcool, e nisso está o grande mérito de "Hoje está um
dia morto". O que virá na manhã seguinte fica por conta da capacidade
do autor de mostrar se no dia seguinte alguém irá acordar, ou se todos
os dias já nascem mortos.
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(outubro 2006)
PREVISÍVEL TÉDIO Hoje está um dia morto, de André de Leones, é apenas a história da falta de perspectiva de seus protagonistas
Por ANDREA RIBEIRO
Tédio. Um dia após o outro, a mesma coisa. As mesmas pessoas. O
mesmo programa. A mesma sensação de não se encaixar na turma, em casa,
na vida. Tédio, tédio, tédio. Parece a ladainha, o mantra recitado
monotonamente pelos escritores que arriscam falar sobre a juventude. É
livro sobre jovens? Dá-lhe relações confusas ou superficiais com os
pais, inadequação na escola, falta de idéias, falta de perspectivas,
revolta, álcool, drogas, sexo - não necessariamente nessa ordem. Tédio,
tédio, tédio. Há tempos não leio nada que mude essa idéia
preestabelecida por mim mesma.
Ao espiar as orelhas dos livros,
sempre me deparo com algum comentário que me faz acreditar que,
realmente, escritores que se aventuram a "decifrar" a juventude, não
estão lá com a bola muito cheia. Quando li a orelha e a contracapa de Hoje está um dia morto,
de André de Leones, até pensei que poderia estar diante de uma obra
diferente. Moacyr Scliar e Luiz Antonio de Assis Brasil consideraram o
romance o melhor inscrito no Prêmio Sesc de Literatura 2005 e, de
quebra, derramaram-se em elogios ao escritor goiano. À narrativa, ao
conteúdo, à forma como ele trata e retrata a juventude nacional. Ou
melhor, mundial... "Não é um reviver do tedium vitae [...], mas algo
muito mais denso que engloba não apenas o indivíduo, mas toda a
sociedade, minando-a em seus fundamentos e negando-lhe um futuro.
A
quebra de paradigmas decorrentes da queda do Muro de Berlim levou-nos a
um grande ponto de interrogação, a ser respondido pela Literatura,
mesmo que esta se desvincule do comum das ruas", diz Assis Brasil. Foi
longe! Já Scliar afirma que Hoje está um dia morto é um livro surpreendente.
Li
o romance premiado e recomendado. Não é uma obra ruim. Mas também não é
lá grande literatura. Para o meu gosto, faltaram o algo mais que
prometeu Assis Brasil e as surpresas propagadas por Scliar. O que tem
de sobra é a falta de perspectivas do casal de protagonistas, Jean e
Fabiana. E aquela sensação de que eles não se encaixam na turma, na
casa, na vida. Ou seja... parece um livro lido. E relido. Várias vezes.
A
história peca pela previsibilidade - até mesmo ao apresentar um "final
surpreendente". Na verdade, o final é mais um choque do que uma
surpresa. Mas, vá lá, até consegue fazer com que a leitura - mesmo que
no finzinho - tenha um sobressalto. Na mesma medida em que a história
carece de emoção e novidade, no entanto, a linguagem que Leones
escolheu é muitíssimo apropriada. Ao contrário da monótona vida do
casal cinzento que passeia pela obra - minha impressão é de que eles
têm sempre cabeça baixa e tênis chutando as pedrinhas do caminho -, a
narrativa é ágil, descritiva e colorida, de certa forma. É aí que o
livro ganha um pouco mais de força. É uma linguagem simples, comum,
apropriada aos protagonistas retratados na história.
Minuto
de silêncio. Jean trouxe um livro no bolso da jaqueta, O Castelo.
Quando Fabiana perguntou por que ele estava levando um livro para um
boteco, ele não respondeu. Não sabia e sentia um pouco de vergonha por
isso. Não planejava sentar-se à mesa no bar e abrir o livro, mesmo que
o lugar estivesse vazio, como de fato está. Mas trouxe o livro. Fabiana
lembra-se deste detalhe agora:
- Odeio ler. Prefiro ir à praia.
- Aqui não tem praia.
- Pra você ver o quanto minha vida é sacal. (pág. 101)
A
narrativa tem muito de cinematográfica. Provavelmente porque André de
Leones é formado em cinema. Em uma entrevista para o Sesc, ele diz que
a idéia para o livro surgiu, na verdade, de um roteiro para cinema. Mas
que tratamento após tratamento, a narrativa perdeu os traços do cinema
e virou "literatura pura". Não a meu ver. Para mim, é muitíssimo
cinematográfica a seqüência a seguir, que intercala diálogos de Jean e
a diretora da escola, e de Fabiana com a bibliotecária:
- Ainda lê muito, Jean?
- Não o bastante.
- E quanto seria o bastante?
- Até a cabeça estourar.
- É que não é um livro como esse seu.
- E como é, então?
- Diferente.
- Por quê?
- Porque sim, ué. Porque sim.
- O que você lê?
- De tudo.
- Por exemplo?
- O Estrangeiro.
- Kafka?
Jean sorri.
- Desculpe.
- Sem problema. Foi engraçado.
- Sei. Esses livros malucos, escritos por malucos para gente maluca.
- Por aí.
- Então você é maluca, garota?
- Maluquinha.
- E lê só essas coisas para se sentir mais maluca?
- Por aí.
- Aposto que gosta de rock. (págs. 58 e 59)
Só
faltou o "corte seco para Jean, sorriso de canto de boca, olhando para
a freira". Ou algo parecido. Felizmente ele usou esse tipo de
artifício. Deu uma agilidade importante para o livro. Que poderia se
arrastar e arrastar e morrer antes mesmo de chegar à praia, não fosse
essa escolha.
Hoje está um dia morto é um livro
de estréia (e é sempre louvável alguém se arriscar a publicar). Apesar
dos altos e baixos, dá seu recado - embora seja um recado um tanto
antigo. Agora é esperar o próximo livro - que já deve estar na cabeça
de Leones - para ver o amadurecimento do escritor. Ou não.
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ENTREVISTA - PORTAL SESC (abril 2006)
"A ÚNICA COISA QUE SEI FAZER É ESCREVER"
Silvânia,
a oitenta quilômetros de Goiânia, possui cerca de vinte mil habitantes,
em maioria religiosos; é predominantemente agrícola, e histórica. A
vivência sofrida de um adolescente em meio ao cotidiano da cidade é o
tema do livro de estréia de André Luiz Ponce Leones, vencedor na
categoria romance. Hoje morador da capital de Goiás, o autor tem 26
anos, é estudante de jornalismo e colaborador para a internet sobre
cinema. André tinha o romance pronto, nascido originalmente como
roteiro de cinema ? cujos esboços foram escritos em uma biblioteca do
SESC. Ao ser avisado do Prêmio, o jovem escritor duvidou: "Eu não
conseguia acreditar."
Qual o tema do romance? O
tema é "ter 16/17/18 anos e viver em Silvânia sem perspectivas". Mais:
morar ali com essa idade, tendo sido alvejado por uma educação
católica/salesiana, sentindo-se estrangeiro no meio dos outros e dentro
de si. Crescer lá, para mim, foi doloroso, em alguns momentos
desesperador, e obviamente marcante. Há toda uma mentalidade de
cidade-do-interior, alguma maldade típica dessa mentalidade (só que
particularmente acentuada), mas eu sobrevivi. Hoje, até me sinto bem
lá. Mas demorou.
'Hoje está um dia morto' foi elaborado para o concurso? Não.
Ele, na verdade, foi elaborado para que eu não cometesse uma tragédia,
mas não quero parecer piegas. Mas o tema, para mim, importa menos do
que a forma como eu posso trabalhar com ele, literariamente. Sim, gosto
de experimentar, de procurar recursos narrativos que permitam levar o
tema ao extremo, ao paroxismo da expressividade. Tema e conteúdo, em
minha literatura, estão colados, inseparáveis.
Por que resolveu participar do Prêmio SESC de Literatura? O
romance estava pronto, era estreante, achava meu material bom, fui
estimulado por um amigo. Acho que a iniciativa do SESC é
imprescindível. E, dado o nível de profissionalismo que venho sentindo
da parte do SESC e da Record, altamente estimulante. A literatura
brasileira às vezes me parece engessada, ou pouco instigante, mas
existem muitos escritores interessantes publicando na internet ou em
pequenas edições pagas do próprio bolso que merecem ter projeção
nacional. O SESC está proporcionando essa projeção de forma
extraordinária.
Quanto tempo levou para escrevê-lo? Já havia escrito antes sem publicar? Levei
cerca de um ano e meio. O romance nasceu como um roteiro de cinema (eu
recém-terminara um curso), cujos esboços eu comecei a escrever em uma
biblioteca do SESC, onde ia estudar todas as tardes, em 2006. Mas
depois foi muito transformado, até virar "literatura pura", por assim
dizer. Do roteiro inicial, sobrou muito pouco nele. Tenho um livro de
contos ("Desde pequenos nós comemos silêncios"), premiado num concurso
regional, mas a publicação depende da Prefeitura de Goiânia e,
portanto, ainda não saiu.
Após o lançamento, pretende continuar a carreira de escritor?
Sim,
a única coisa que sei fazer é escrever. Mesmo que não tivesse ganho
este ou o outro concurso, continuaria a escrever. Tenho um romance em
mente, mas ainda está muito cru, e não tenho nem quero ter pressa. Vou
lançar esses dois livros premiados e só depois sentarei para escrever.
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a) LER? Imprescindível. Escritor que não lê
é escritor morto. Mas, claro, ler é imprescindível não apenas para quem
escreve. Ler é uma maneira de se conectar existencialmente e emocionalmente com
o outro. Uma soma, uma relação que se estabelece, na medida em que a imaginação
do outro, do autor, só se completa com a/na imaginação do leitor. Uma entrega
mútua, portanto. Ler ainda é fazer com que sua vida interior não se restrinja
às atividades de suas vísceras.
b) ESCREVER? Existo também por aí, em
escrevendo. É uma das maneiras que encontrei de experimentar a alteridade. A
arte não é inútil. Não existe inutilidade na arte. Algo que coloque imaginações
e vivências em contato direto não pode ser inútil.
c) SER LIDO? Escrevo para ser lido. Não faz
sentido, para mim, colocar uma narrativa ou um poema de pé sem que, na outra
ponta, haja alguém para ler. Não sei escrever cartas que não serão enviadas ou
que, enviadas, não cheguem a destinatário algum.
d) CRITICAR? Escrevo resenhas. Não resenho
livros dos quais não gostei. O espaço já é pequeno, não quero usá-lo com
não-indicações de leitura. Prefiro comentar os livros que achei legais. É uma
opção minha, evidentemente, e não acho “errado” quem critica negativamente um
livro. O que considero uma filhadaputice, uma desonestidade, é quando o
crítico, ao supostamente criticar uma obra, agride o autor, procura
ridicularizá-lo. Mas aprendi algo: com as coisas que fazemos, nunca
ridicularizamos ninguém; ridicularizamos, no máximo, a nós mesmos.
e) SER
CRITICADO? É legal quando a crítica, seja positiva ou negativa, é
honesta e bem escrita. Quando é assim, ela ajuda inclusive a esclarecer coisas
para mim. Quando se trata de um ataque gratuito, inconseqüente, de uma
molecagem, em suma, bem, é chato, claro, mas já não me importo tanto quanto me
importava antes. É aquilo que escrevi no final da resposta anterior. E há os
leitores que me enviam e-mails comentando meu romance ou algum texto publicado
por aí. Nem sempre dizem coisas agradáveis, é claro, mas sempre procuro
conversar. Quando se trata de leitores desarmados, por assim dizer, essas
conversas sempre rendem bem, mesmo com pessoas que não apreciam o meu trabalho
(mas estão dispostas a bater papo numa boa, sem agressões).
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